Wednesday, July 27, 2016

COMPLEX MAGAZINE: MARIAH CAREY- COM OLHOS BEM ABERTOS


     Todos nós usamos uma máscara, até mesmo a rainha dos charts e de todos os recordes da música. Porém, Mariah Carey veste melhor que ninguém.

     Mariah Carey é, como de costume, cabeça aberta. Manobrando através da sala de jantar principal do Nobu em Malibu com uma pequena comitiva, ela está usando grandes óculos escuros e uma jaqueta de couro caída sobre seus ombros. Seguida com as luzes das câmeras fotográficas e gritaria da multidão do lado de fora do restaurante, ela se senta comigo na mesa mal iluminada no convés do lado de fora do restaurante, com a vista para o Oceano Pacífico.

     É uma noite fresca de verão, mas as lâmpadas de calor irradiam o calor suficiente para ela tirar o casaco, revelando assim que ela está com muita pouca roupa. Ela usava uma saia preta, um sutiã e um top preto transparente. Porém, é claro, seu olhar é sobre seus seios e suas pernas.

      “Eu não queria sair assim sem o meu casaco”, ela explica. “Este conjunto é um pouco pequeno”.

     Carey fez um carreira divulgando o que ela quer divulgar na hora que ela quer fazer isto. Depois de décadas sendo o centro das atenções dos tablóides, ela está com boa parte de sua vida exposta ao público. Um sucesso financeiro e colossal e uma excelência de diva nominal impar, Carey tem uma riqueza que nós meros mortais não podemos nos relacionar – ou uma história de origem para corresponder. “Eu não tenho idade”, ela brinca quando questionamos sobre seu aniversário de 46 anos em março. “Eu estava aqui e apareci. Foi uma experiência tipo conto de fadas.”

      Assim, em muitos aspectos, veremos Carey em seu novo programa para o E!, o “Mariah’s World”, um documentário divido em oito episódios que está previsto para estrear no fim deste verão, e será uma grande surpresa. Ela promete uma visão por dentro da vida de ‘bolha de celebridades’, incluindo seus ensaios para turnê europeia, o planejamento para seu casamento com o bilionário James Packer, que será realizado ainda este ano, e a sua campanha incrível contra a iluminação fluorescente que não lhe faz jus. Mas não será, de acordo com Carey, um programa no estilo do clã Kardashian, que ensaiam as coisas para irem ao ar, coincidentemente, elas filmam um jantar privado para 15 pessoas.

     “Alguns de nós”, diz Carey, olhando para sala ao redor, “Falam de outras pessoas e eles fazem todo aquele lá lá lá lá. Mas eu não sou este tipo de pessoa.”

     Ainda assim, a combinação de glamour com as curvas e as famosas alfinetadas de Mariah farão deste programa um reality show perfeito para TV. E é isto que algumas pessoas têm medo. As fontes dos tablóides que citei estão preocupados como um reality show será embaraçoso para ela. Wendy Willians protestou contra a ideia, citando o lamentável reality show de Whitney Houston em 2005 para o Bravo TV, o Being Bobby Brown. O diretor Lee Daniels, a quem Mariah ficou muito amiga desde o sucesso em Precious, também expressou sua preocupação em uma entrevista para rádio SiriusXM.

     “Ela é muito frágil, e tem sido usada demais por outras pessoas”, disse Daniels. “Ela foi usada, e tem sido abusada constantemente. Algumas pessoas não tem este filtro que eu tenho, então se ela blinda com este jeito descontraído a sua dor e nervosismo, até a sua própria família abusa dela. Ela é mal compreendida, porque ela tem um coração enorme, ela é o tipo de pessoa que vai fazer qualquer coisa para te ajudar.” completou Lee Daniels.


     Dias depois a declaração de Daniels, Mariah postou um vídeo brincando de brigar com ele no IG. O subtexto, no entanto, foi uma clara advertência para todos os outros críticos do Mariah’s World. Ela é famosa desde os seus 20 anos, quando seu disco de estreia explodiu nas paradas de 1990. Depois de 26 anos, ela continua no centro das atenções, depois de dois divórcios, um “colapso nervoso” e um ‘grande comeback’, todos seus 18 singles em número 1 nas paradas, e então todas as críticas e preocupações sobre a abertura de sua vida particular ao público ficaram caladas. Depois de todo este tempo, você acha mesmo que Mariah Carey não conhece o seu melhor ângulo?


Como você se sente sobre isto?

     Carey está cantando 2Pac, mais espeficicamente a música “How Do U Want It” , uma colaboração com K-Ci e Jojo de 1995, um gênero que ela mesma lançou, no meio para explicar suas colaborações ao longo dos antos, seja com Jay Z, Snoop, Ol’ Dirty Bastard, Nas, the LOX, Rick Ross, e Jeezy, porém MC se lamenta de não ter trabalho com 2Pac.

     “Livin’ in the fast lane, I’m for reeeeeal…”

     “Imagina se eu tivesse lançado uma música como esta?” ela se pergunta, “Fala sério, eu vivo por isto!”

     Sua interpretação exuberante é um lembrente de que ela é frequentemente citada como a princesa do pop que ajudou a quebrar a barreira entre o pop chiclete e a o hip-hop. O seu remix de “Fantasy” com Ol’ Dirty Bartard foi algo histórico que abriu o caminho para todas estas colaborações do pop com o rap que vemos nas paradas nos dias de hoje. Naquela época, ela lutou contra a sua gravadora para conseguir autorização para gravar com ODB e ganhou a autorização da Sony Music depois de muito custo, e agora ela é tida como a a responsável por este casamento entre os estilos, Mariah Carey mostrou seu reconhecimento como parte da cultura pop por isto. “Eles olhavam para mim e falavam, ‘Que droga, ela está interessada em fazer uma música com o rapper”, ela lembra. “E eu pensava, ‘Não, eu cresci ouvindo isto. Você acha que isto é algo novo? Você está debochando da minha cara!”.

     No hip-hop, Mariah Carey encontrou um molde perfeito para suas famosas e perfeitas acrobacias vocais. “Eu amo os rappers mais obscuros do mundo”, disse ela. “Eles sãos os meus favoritos”, Carey se lembra de estar em um carro em Nova York durante uma noite e ouvindo “Shook Ones” do Mobb Deep quando ela teve a ideia de fazer “The Roof”, uma canção de seu álbum “Butterfly” de 1997, uma canção sobre um romance fugaz. Ela foi igualmente inspirada com “Oh Boy” de Cam’ron, e virou sample de seu single “Boy (I Need You)” de 2002. Ela o levou até Capri para gravar a música em seu estúdio, e ele devolveu a hospitalidade, dando-lhe uma carona em seu Lamborghini para conhecer Harlem. Quando ela mostrou para ele alguns pontos que ele não sabia que existiam, Cam’rom percebeu ela estava super a vontade e muito confortável em fazer música com ele.


     Carey descobriu que através de suas colaborações com o hip-hop que ela poderia flexionar tanto como chefe e co-estrela, a navegação entre as vertentes dá impulsos para ela fazer o que ela quiser. As pessoas lembram dela andando de patins no vídeo de “Fantasy”, mas poucos se lembram que ali marcou a sua estreia como diretora do vídeo musical, onde ela dirigiu as suas cenas dentro da Montanha-Russa, muito antes das GoPros serem inventadas (Vinte anos depois, ela ainda está dirigindo, ano passado ela dirigiu um filme natalino para o Hallmarck Channel, e este ano ela assinou um contrato para dirigir mais três filmes com o canal à cabo). Ela também fez uma participação no filme State Property 2. Mas quando o L.A Reid assumiu o cargo de presidente executivo da Def Jam, um selo da Universal Music. Carey sugeriu que ele contratasse seu amigo, o Jay-Z, e levou o rapper na gravadora para um reunião com Reid sem avisar previamente. “Vários rappers não tem ideia do que eu tive que passar como cantora,” disse Carey. “Eu sempre estava numa bolha que eles me colocavam, mas eu sempre tentei furar ela e sair. Era uma linha difícil de andar.”

     A diva do pop é uma distinção muito familiar para os espectadores de Mariah. Pode-se fazer um arco com um esboço de sua carreira descrevendo que visuais ela usava em cada ponto principal: o vestido preto do seu álbum de estreia, a roupa de Mamãe Noel de ‘All I Want For Christmas Is You”, o Biquini de Bondgirl de “Honey” e o vestido dourado do “The Emancipation Of Mimi”.

     Mas agora, Mariah Carey tem abraçado plenamente seu legado (ela lançou uma residência com seus maiores sucessos em Las Vegas ano passado), e seus emblemáticos MEMES. Havia uma controversa no American Idol em 2013, que Mariah bateu de frente com Nicki Minaj, em uma briga de egos. Um ano depois, ela fez uma apresentação ruim no especial natalino gravado em Rockefeller Center, mais tarde, de uma forma estranha vazou um áudio isolado da produção, e foi reportado que alguém da equipe vazou por causa dos atrasos dela.

     Desde então, ela tem sido cada vez mais disposta a tirar sarro de seus próprios defeitos, debochando sua imagem de diva, que para ela é brincadeira. Em abril, ela teve uma festa temática na Itália, onde os convidados se vestiram de Mariah Carey, usando os looks favoritos dela. Em junho, ela foi entrevistada por Jimmy Kimmel e aceitou entrar em uma banheira de espuma. A entrevista foi inspirada em sua icônica cena no MTV Cribs de 2002, que se tornou a maior audiência da MTV naquele ano, onde ela mostrou seu apartamento em Nova York (que tinha até um quarto inspirado no filme ‘A Pequena Sereia’).


     Mariah Carey acredita que sua reputação de diva continuará com o programa ‘Mariah’s World’, mas ela diz que ela teve que esquecer que estava gravando para TV, e tudo saiu no improviso, não teve script. “Eu me tornei mais confortável com ele. No começo eu estava tipo, ‘Tudo bem, nós podemos documentar a turnê, podemos mostrar o que está acontecendo nos bastidores, com os cantores, os dançarinos, e isto, e aquilo. Você pode também filmar quando estou no palco e blá blá blá. E então comecei a perceber que os melhores momentos estão no improviso.”

     Seu lado mais revelador também. Muito antes de atrapalhar ela sobre seu divórcio não resolvido com Nick Cannon, Carey me pergunta se tenho filhos (ela tem um casal de gêmeos, Moroccan e Monroe, que fizeram 5 anos em Abril). Antes de eu tomar um gole do meu Pinot Grigio, ela me diz: “Eu nunca pensei que teria filhos também, mas também nunca pensei que ia ter filhos com alguém e depois me divorciar. Eu fiquei pensando,’Bom trabalho, você está repetindo o que viveu no passado'”.

     “Mas a vida segue”, ela continua acenando para seu anel de diamantes de borboletas, e o que era suposto acontecer. “Está bem. Para os meus filhos, eu não gostaria que tivesse acontecido desta forma. Pra mim, foi…[e então ela começou a cantar ‘Too Much, Too Little, Too Late’ do Johnny Mathis e Deniece Williams]. Acho que acabou, acontece algum dia”, Carey inicialmente não estava a procura de um novo amor, até que seu amigo, o cineasta Brett Ratner, lhe apresentou uma nova pessoa, James Packer, que lhe pediu em noivado em janeiro deste ano com um anel de diamante de 35 quilates, em menos de um ano de namoro. Explicando que eles compartilham do mesmo senso de humor, Carey diz que não deixa que suas agendas apertadas atrapalhem isso. “Eu não esperava que ele fosse em cada pequena coisa que eu faço, e vice-versa. Ele tem um monte de coisas pra fazer. Há uma compreensão mútua”.

     Carey ri quando eu descrevo seu casamento como uma “fusão” e pergunto se juntar dois magnatas de sucesso juntos é difícil. “Nós gostaríamos que não fosse uma grande coisa, mas a realidade é que tem que ser”, diz ela. “Porque há coisas que são especificamente minhas, e ele tem um conglomerado enorme de empresas e eu não quero tirar isso dele. Então temos que lidar com isso. Sempre que você se casa com alguém [isso acontece] -e eu deveria saber. Este vai ser o casamento número três. Meu bispo me disse: ‘Eu não quero que você banque a Elizabeth Taylor pra mim! “Eu disse,’ Eu não vou’- e então eu disse ‘adeus'”.

      Carey não irá revelar muito mais sobre seu relacionamento com Packer: “Ele é um empresário privado e há um monte de coisas com suas empresas que eu não posso falar. Não é algo legal de se falar”.

     Mas ela revela que ele é obcecado por sua música há um bom tempo, e ouve diferentes playlists dela enquanto viaja. O fato de que ele era um grande fã não a assusta. “Na verdade, se ele não gostasse da minha música, então, como eu seria capaz de lidar com ele por perto quando tudo que eu estou fazendo é criar?”, ela comenta. “É legal.

     A música é o princípio organizador, é ponto de referência inicial, para praticamente tudo que Carey faz. Trechos de suas canções sempre estão em conversas diárias. “Essa é a nossa forma de se comunicar”, Big Jim Wright, colaborador de longa data de Carey e o diretor musical da sua residência em Vegas, diz à Complex por telefone. Durante a minha conversa de 45 minutos com Carey, ela canta pedaços de pelo menos nove músicas diferentes. Impecável. Sem nunca me chamar de dahhhling.

     A maior parte da carreira de Carey foi sobre encontrar maneiras de segurar o microfone em seus próprios termos. Mesmo quando ela estava promovendo o documentário e se preparando para mais datas em Vegas, Carey começou discretamente a trabalhar na última semana de maio no 14º álbum de estúdio de sua carreira. No ano passado, ela assinou um contrato de vários álbuns com a Epic, uma divisão da Sony, que vai voltar a juntar-la com L.A. Reid, que supervisionou o lançamento de seu retorno em 2005, “The Emancipation of Mimi”, quando ambos estavam no Universal. “Eu amo Mariah; Eu a considero minha ‘esposa musical’ “, diz Reid. “Nós temos trabalhado juntos por quase 15 anos, e foi muito importante para mim trazê-la de volta pra casa, para a Sony. Mariah começou sua carreira aqui. Eu queria juntar a família novamente”.

      O contrato leva Carey de volta para o selo que a descobriu em condições muito diferentes de quando ela saiu em 2000, dois anos depois de se divorciar do então presidente, Tommy Mottola. “O fato de que muito do meu catálogo está na Sony é importante para mim”, diz ela. “Eu tive que sair naquela época, porque não havia nenhuma maneira de eu ficar por lá”.

     A história de seu casamento foi bem exlorada em 1993 – era o primeiro casamento dela e o segundo dele – pode-se chamá-lo de Svengali e ela de pássaro engaiolado (ela costumava chamar de sua mansão de “Sing Sing”), o que, ao que tudo indica, transformou seu casamento num negócio . Em sua autobiografia de 2013, “Hitmaker: The Man and His Music”, ele descreve seu relacionamento com uma jovem Mariah que é quase 20 anos mais jovem do que ele como sendo “absolutamente errado e inadequado”. Michael Jackson, durante seu discurso infame sobre a Sony em 2002, divulgou alguns detalhes desagradáveis que Carey disse a ele sobre Mottola: “Michael, este homem me segue”, disse ela. “Ele monitora meus telefonemas”. Tanto Jackson quanto Carey lutaram para liberar novas músicas sob a supervisão de Mottola.

     Suas batalhas não eram apenas sobre datas de lançamento, mas sobre o controle criativo sobre sua música, diz Carey. “Se Michael Jackson estivesse vivo, ele poderia cantar ‘Can’t Feel My Face’ [do The Weeknd]. Ele poderia cantar qualquer uma dessas músicas. E às vezes isso me lembra, ‘Oh, eu queria que Michael tivesse tido uma canção como essa. Eu amei quando ele fez ‘Butterflies’ [de 2011] e canções como aquela. Eles sempre iriam odiar isso na Sony porque queriam que ele gravasse esses grandes hits Pop”. Em geral, os selos não estão interessados em superstars proclamando sua independência. O The Weeknd abertamente rejeitou canções que super produtor sueco Max Martin escreveu para ele. Martin finalmente cedeu para que ele colaborasse na escrita, o que deu origem ao hit #1 “Can’t Feel My Face”. É lógico que, se Carey estivesse interessada apenas em vendas, ela teria o orçamento e o talento para chamar produtores e compositores de alto escalão para ter hits prontos. Mas Carey escreveu muito de seu próprio material. Que é muitas vezes mal interpretado no sentido de que ela só escreve as letras. “Nós criamos a base da música que eu vou cantar [juntos]”, diz ela. “As pessoas realmente não entendem o que isso significa, a menos que você esteja nesse negócio. Eles pensam, ‘OK, então ela provavelmente escreve as letras’. Não, eu escrevo as letras, a melodia e a música com [produtores]. Eu não sou pianista mas sei tocar um pouco, mas eu realmente gosto de ajudar a moldar quem está tocando”.


     Durante a sessão de gravação de “Mine Again”, uma balada do álbum “The Emancipation of Mimi” – com uma vibe dos anos 70, o produtor James Poyser descobriu que, mesmo quando Carey baixa a guarda, ela ainda está no controle. A canção foi a primeira colaboração entre os dois, e Poyser, o tecladista do The Roots que também produziu canções para D’Angelo, Erykah Badu e Jill Scott, entre outros, não sabia o que esperar de sua primeira sessão e encontro, organizado pelo jurado do American Idol, Randy Jackson.

     “Você nunca sabe como alguém é. Você vai se dar bem? Vai ser uma experiência legal? Vai ser estranho? Há um monte artistas estranhos e que não são gentis na indústria da música”, diz Poyser. “Eu estava sentado no estúdio por um tempo e, em seguida, houve uma grande agitação. Você pode sentir um turbilhão entrar na sala, fiquei tipo, ‘Cara, é agora’. E então ela entra na sala e foi absolutamente a pessoa mais legal. Ela disse: ‘Oi’, puxou uma cadeira ao meu lado, e nós começamos a escrever. Era quase como se soubesse exatamente o que a música ia ser instantaneamente. Ela sabia o que queria e de alguma forma agarrou minha mão e me levou para lá. Essa é a coisa que ficou comigo. Você pode ver que ela sabia”.

     Carey nunca esqueceu de como tem sido difícil de adquirir e manter o controle criativo enquanto ela navega no panorama atual de álbuns surpresa e a Apple Music – e lançamentos só no Tidal. Estrelas de 2016 como Beyoncé, Drake, e Chance The Rapper aparentemente têm mais liberdade para criar do que Carey e Jackson tiveram um dia, sem um executivo de gravadora respirando no seu pescoço – e uma forma mais direta de lucrar com seu trabalho. “Eu tenho sorte de ter entrado nessa na década de 1990”, Carey diz, “porque eu era capaz de [cantando Rihanna] ‘work, work, work, work, work’. Gravar toneladas de álbuns. Isso era muito bom, mas eu notei uma diferença total de como você ganhar dinheiro agora”.

     Quando Forbes a nomeou a sexta mulher mais rica em entretenimento em 2007, com um patrimônio estimado de US$ 325 milhões, a revista citou a renda de Carey com a venda de mais de 200 milhões de álbuns e royalties de publicação derivados de música que ela tinha escrito sozinha na maioria das vezes. Em 2015, quando sua estimativa de US$ 27 milhões em receita como a nona mulher mais bem paga da Forbes na lista de música, foi com base no lucro da residência de Las Vegas e promoções como o comercial de “Game of War”. Seu vídeo para o single daquele ano, “Infinity”, apresenta merchan pesado para o site match.com. As probabilidades são de que o reality “Mariah’s World” será mencionado em sua inclusão no ranking da Forbes  de 2016.

     Mas a maior inspiração de Carey para sua volta para o sistema de grandes gravadoras não é uma estrela do novo milênio. “O Prince foi uma das melhores pessoas que eu conheci”, diz Carey. “Ele não se preocupava com o sistema. Eu sempre pensava, ‘a qualquer momento, o Prince poderia escrever uma canção #1, porque ele é tão talentoso’, mas ele escolheu fazer o que ele queria. Eu respeito isso. Ele realmente me ajudou a passar por um monte de situações com o seu conhecimento. Ele sempre tinha um plano. Eu simplesmente não posso acreditar que ele se foi. Eu estava esperando que isso fosse uma peça que ele tava pregando – que isso realmente não aconteceu”.


     Prince dominou a manutenção da imagem, o que, para ele, significava preservar um pouco de mistério sobre si mesmo. Mas Carey diz que aprendeu a arte da sedução pública – mostrando algumas informações privadas, escondendo outras – de Marilyn Monroe, sua maior inspiração e também o nome de sua filha. Aos 5 anos, Monroe é um ano mais nova do que Carey tinha quando ela entrou no quarto de sua mãe para assistir “Os Homens Preferem as Loiras” assim como “Diamonds Are Girls Best Friends”, a canção título e a cena de dança em Techinicolor em que Marilyn Monroe ficou mais conhecida, começou . Carey diz que ela mostrou sua filha a mesma cena; Monroe olhou para cima e pediu para assistir o filme inteiro desde o início. “Ela tem 5 anos. Ela não sabe o que eles estão dizendo – é da década de 50, mas ela está andando nos meus saltos desde que ela tinha 2”, diz Carey.


      Na era da Internet, o legado de Marilyn Monroe muitas vezes é reduzido a memes vulgares do Instagram. Ela virou espuma, cabelo e maquiagem, jóias e decotes, envolta em citações que não são delas. Mas isso não é como Carey a vê. Um fato frequentemente citado é que a cantora possui um piano branco de Marilyn Monroe, um bem super valioso para ambos. Foi supostamente a primeira coisa que a mãe da atriz comprou para sua primeira casa quando Marilyn era uma criança. A mãe dela pintou de branco e o colocou no meio da sua sala vazia. Mas eu nunca tinha ouvido Carey explicar o seu significado. Enquanto sua assessora me lança o primeiro de três olhares ameaçadores, eu lutava para fazer a uma pergunta que eu sempre quis saber sobre o seu fascínio pela Marylin: Como um fã multimilionária, ela poderia facilmente possuir qualquer coisa do legado de Marylin – então por que o piano?

     “Essa foi a única coisa que ela tinha de sua infância. Eu nem toquei nele – nem ao menos apertei uma tecla”, diz Carey. “Eu poderia ter comprado o vestido, o vestido que ela cantou para o presidente” [ela  suspira]. “Mas eu prefiro manter algo que ela se importava”.

      Ela me olha diretamente nos olhos. “Você sabe que sua produtora foi a primeira produtora de propriedade do sexo feminino em Hollywood? Ela abriu o caminho para as mulheres em um monte de maneiras que muitas pessoas não pensam. Ela era tão “símbolo sexual” que parecia ser o oposto, mas ela realmente não era aquilo”.

Revista Complex

Tradução: MariahNow