Tuesday, July 26, 2016

CLASH MAGAZINE: O RETORNO DE UM ÍCONE


Para o alto e avante!

     Do nosso ponto de vista prudente de um sofá no lobby de um Hotel, Clash ficou incrédula como a aparição iminente ao redor de nossa convidada, que era observada pelos seus funcionários com uma enxurrada de gestos impertinentes e repetidas verificações de ordem e protocolo, oscilando em torno na porta da frente, fazendo o seu melhor para manter a dignidade e privacidade dentro de seu estabelecimento de luxo.

     Enquanto isto, a vista para a nossa esquerda era uma porta de vidro que podemos ver o que acontece lá fora – é a única defesa entre a entrada e uma horda de milhares de fãs impacientes e paparazzi, alguns que começaram a subir em árvores para tentar uma posição melhor para tirar fotos. O paparazzi permanece nobre, seu boné liso, mas há uma sensação de alívio quando uma equipe de jovens fortes norte-americanos chegam para proteger o perímetro.

     Tudo isto é a apreensão e expectativa é alta de entretenimento para Clash, especialmente depois de um almoçar e tomar três cervejas. Outros hóspedes não se incomodam – alguns parecem curiosos, talvez desconhecem a identidade de quem é a famosa que está hospedada no hotel, enquanto alguns fingem em não se importar para ver quem é a artista que está chegando, outros continuam olhando no elevador. Nós, no entanto, nos encontramos apanhados no meio deste turbilhão – parte dele, foi removido de alguma forma. Mas que se foda, nós estamos de férias!

     Chegamos aqui em Paris há poucas horas, e fomos diretamente para para famosa avenida Champs-Élysées, comemos os mais caros filés com fritas do país somente para ficar perto e saber notícias sobre a nossa entrevistada. Depois de uma espera de quase duas horas, finalmente tivemos a chamada: Mariah Carey quer fazer compras!

    Então é  por isto,  que tudo isto, é que acontece quando Mariah Carey gosta de fazer compras para como sua terapia diária para relaxar a tensão.

     Ela vibra graciosamente, porém mantém a sua calma interior e a confiança em evidência deixando todos calmos. Esta é a sua normalidade, ao que parece, quando ela esta pronta para se mover, ela desliza pelo chão com uma finalidade absoluta, usando roupas pretas, jaqueta de couro, jeans, óculos escuros e saltos altíssimos. Aqueles clientes curiosos tiraram o telefone do bolso no impulso para tentar tirar uma foto dela durante sua caminhada até as portas de vidro.

     Quando eles abrem a porta, histeria rompe – uma multidão começa uma empurra empurra através para barreiras. Apesar do frenesi, Mariah faz uma pausa para cumprimentar seus fãs que estão na porta, posando para várias selfies, recebendo calorosamente presentes e diz “Oi” para alguns rostos familiares para ela, enquanto, gradualmente, ela vai andando para perto do carro que está lhe esperando.

     Ao seu lado, uma comitiva grande – em grande parte do sexo feminino, com uma calma semelhante a da da diva, segurando bolsas de compras da Avenue Montaigne, uma das ruas comerciais mais glamourosas de Paris. Em seguida, vem uma equipe de filmagem correndo atrás dela. E, finalmente, um jovem vestido apenas um roupão atrás deles no lobby – usando muletas – entra em outro carro e segue atrás delas.

     Então, quando todos os veículos partem, silêncio. A multidão fica dispersa debaixo do toldo vermelho do hotel – alguns chorando de felicidade e outros cantando suas músicas favoritas de Mariah. Os funcionários do hotel finalmente podem voltar à rotina. O porteiro endireita a gravata e volta a fazer seus serviços. A Clash, com sede de tomar outra cerveja, vai em busca de um freezer com o preço mais acessível para comprar.

     Duas ou três horas depois (quem é que está contando, né?). Os trilhos de Balmain são esvaziados. Mariah tinha retornado à sua suíte na cobertura depois de um rápido jantar nas proximidades. Ela está em seus aposentos privados colocando os gêmeos de cinco anos de idade, Moroccan e Monroe, para dormir, quanto negocia um melhor lugar para a gente erguer um estúdio improvisado da Clash.

     O terraço da cobertura, com uma vista deslumbrante para Torre Eiffel, teria sido perfeito quando o sol estava brilhando, mas agora é de noite, escuro e frio, então tivemos que usar um pano rosa nosso para improvisar um fundo em uma peça central no lounge.

     As pessoas que vimos mais cedo são todas apresentadas para nós da Clash. A equipe de filmagem, estão a maior parte do tempo em inatividade, ficam sempre mudando a bateria e aguardando a próxima cena que Mariah autoriza filmar. Eles são do E!, e foi concedido o acesso total ao santuário de Mariah, pois eles tem a intenção de relatar os bastidores da primeira turnê européia de Mariah em 13 anos. Aquele cara de muleta, que estava usando um roupão no lobby, está completamente vestido agora, apesar de sua lesão, ele é uma pessoa bem elétrica. Ele se apresenta para equipe da Clash como Bryan Tanaka. Ele é o coreografo de Mariah, mas após levar um tombo uns dias antes da entrevista, ele ficou um pouco fora de forma e fora do palco. Mais no canto, representantes da Dolce & Gabbana montaram um trilho de roupas da nova coleção para Mariah Carey escolher. Umas crianças bem animadas dormindo no sofá. A equipe está preparando ela penteadeira, conferindo com o fotógrafo da Clash sobre os planos das fotos. Vários assistentes pessoais estão dentro do local. A PR nervosamente pega seu maltês assegurando que a Clash será publicada em breve. Seu diretor criativo da turnê, Anthonny Burrell, mostra-se ansioso para introduzir alguns novos dançarinos, e está espera de uma boa oportunidade para falar isto. Dominando a sala temos a forte presença da nova empresária de Mariah, a Stella Bulochnikov, que é perversamente engraçada, “uma ditadora russa”, confessa ela, que governa tudo sentada em uma cadeira, perfeitamente fazendo brincando de fazer pedidos diabólicos com sua equipe e fazendo sussurros amorosos no ouvido de sua filha. Ela está com um fone de ouvido para seu telefone, e sem aviso que vai entrar em uma conversa privada. Ela começa falar no melhor estilo “guerreiro de Brooklyn” para exigir, “Bradley Cooper está dentro ou fora?”.

     Mais uma vez, o surgimento de Mariah parece injetar uma aura de tranquilidade em nosso processo. Ela passeia através do círculo na ponta dos pés para penteadeira, falando em tons suaves e silenciosos com seu estilista e maquiador. O volume do quarto desce então para o mesmo nível, o silêncio é ensurdecedor. “Onde está a música?” ela implora para Tanaka pegar o seu telefone e começar a bancar o DJ em seu sofá de conforto. De repente, começa a tocar Michael Jackson na sala, seguido de Lauryn Hill e The Notorious B.I.G, que recebeu impressionantes cantorias de Mariah junto com as músicas.

     Tínhamos sido avisados que Mariah Carey era uma coruja da noite, mas não tínhamos sido totalmente avisados que faríamos a nossa entrevista pela madrugada. Mas, assim foi, com o quarto totalmente vazio para privacidade, que a nossa conversa formal finalmente começou. Visivelmente cansada. mas graciosa como sempre, Mariah levantou-se na poltrona  que estava para sentar do lado da nossa, enfiando os pés dela descalços dentro do sapato e finalmente mudou a música.

      Amanhã, ela vai vai realizar o 21° concerto em sua turnê pela Europa com a Sweet Sweet Fantasy, sua primeira turnê pelo continente desde a Charmbracelet World Tour em 2003. Os shows tem sido uma oportunidade de explorar seu catálogo e trazer se volta algumas músicas mais inesperadas do passado, como “Loverboy” e “I Know What You Want”, que raramente viram a luz do sol – enquanto uma apresentação incrível é produzida pela estrela.

     Depois de tanto tempo longe destas margens, por que foi este o momento certo para voltar?

     “Você sabe, é interessante, né?” começa ela, suavemente escovando o cabelo para fora de seu rosto. “Eu estava fazendo uma residência em Vegas e as pessoas estavam vindo de todas as partes do mundo para assistir e foi um grande público, de tal forma que pensei, ‘Talvez devêssemos fazer um show um pouco diferente e documentar isto’. Pareceu ser uma boa ideia.”

     Em contraste com sua residência em Las Vegas, onde ela canta seus 18 grandes sucessos em número 1 nas paradas em ordem cronológica, a turnê Sweet Sweet Fantasy está definitivamente se destacando pela espontaneidade. Com a intenção de fazer um concerto mais pessoal, ela também convidou alguns fãs para se juntar a ela no palco.

     “É tudo sobre mim e meus fãs, é esta relação que temos é um excepcional, não é algo típico”, explica dela. “Eles estão lá para ter uma experiência comigo, não é tipo ‘Venha me ver porque eu acho que sou assim, ou algo do gênero, você entende?’ Eu realmente quero ter uma experiência ao lado deles.”

     Uma comandante comprometida com seu seus fãs devotos – ou “lambs” como eles mais conhecidos desde os anos 90, ou em coletivo ‘Lambily’ (Lamb + Family), Mariah é conhecida por tratar seus fiéis seguidores de forma surpreendente ao longo dos anos, chegou até mesmo fazer o ‘Lambs Appreciation Day‘ mostrando o amor e gratidão pelos seus fãs, além de mostrar um pouco de sua vida particular para eles através das redes sociais. Mariah continua sendo muito vigiada em sua vida privada, porém existem certas coisas que ela coloca limites. Certos assuntos estão proibidos, como seu terceiro casamento com o bilionário australiano James Packer, por isto que é curioso vê-la falando sobre isto facilmente na TV.

     “Bem, você tem um pouco disto”, ela começa, bem consciente do equilíbrio necessário para desfrutar uma vida privada, mantendo seu público satisfeito. “E é por isto que podemos documentar a turnê e podemos ver como é que nos sentindo nos bastidores, porque eu deveria ter sempre documentado todas as minhas antigas turnês, mas existem momentos que eu não deveriam ter sido mostrados.”

     É, obviamente, ela se sente bem, como uma equipe de câmera é permitida para divulgação completa sobre todos os aspectos exclusivos da turnê, eles estão capturando tudo. Bem, nem tudo. “Não é só para me ver pintando as minhas unhas e ligando para meus amigos”, ela disse rindo, acrescentando que é importante para ela que seus fãs, os Lambs, tenham uma vista autêntica do que é a sua vida.

     Mas, ela não está preocupada com a possibilidade de que eles vejam um lado que talvez ela não quer que eles vejam?

     “É uma série, mas é muito mais um documentário em si, por isto eu não estou fazendo nenhuma coisa estranha onde eu me sinta estranha e fazendo somente para chamar atenção”, diz ela, dando entender que o excesso de reality shows poluem nossa TV. “Eu não faria isto somente porque eu me sinto orgulhosa em fazer. Eu realmente quero fazer. Existem várias piadas e personagens que criam em torno de mim e você vê o absurdo que eu tenho que suportar.”

     Pela nossa experiência, a Clash confessa, parece que ela é a pessoa mais sã neste mundo louco das celebridades. Ela ri com vontade. “Eu acho que foi este o ponto”, ela balança a cabeça para “mostrar isto”.

    Há uma sensação de hábitos confessionais de Mariah é uma tentativa de absolvição – um batismo do qual vai renascer sempre. Não pode ser uma coincidência de que ela está abertamente feliz com seu trabalho e com seu novo casamento. Uma nova vida acena: Olhando para trás, o seu álbum de 2005, “The Emancipation Of Mimi”, que foi nomeado com o apelido que ela tinha apenas entre seus amigos mais próximos e familiares, e por evidências anteriores de uma renovação de fé. Este não foi somente mais um destaque de sua  brilhante carreira (que brilhou com um hit massivo internacional, “We Belong Together”), mas a restituição de uma artista confessa, que há muitos anos lutava pelo controle criativo de sua música e de trilhar o caminho com suas próprias pernas através de um divórcio difícil com seu ex-marido controlador e abusivo, Tommy Mottola (que era seu empresário), em seguida, explorando sua identidade musical com uma séria de aventuras credíveis, mais significante delas é fundindo as suas influências do hip-hop em um som dominantemente pop. Em 2001, após o fracasso do filme “Glitter”, e consequentemente da trilha-sonora do projeto, ela também teve que se desligar de seu namorado na época, Luis Miguel, e de sua gravadora, Virgin Records,  Mariah foi hospitalizada com esgotamento nervoso e estafa. Sua reabilitação começou em 2002 com o “Charmbracelet”, quando ela se concentrou em suas raízes para lutar contra a maré (“I can make it through the rain / I can stand up once again on my own / And I know that I’m strong enough to mend,” ela canta em ‘Through The Rain’), mas isto ficou mais forte durante a sua Emancipação, que tivemos assegurados que aquela Mariah estava de volta, sua assertividade palpável por toda a parte. Tendo a ousadia de colaborar com nomes com Kanye West, The Neptunes, Snoop Dogg e Nelly, que ainda soam completamente coesa e de forma distinta,  algo que só a Mariah sabe fazer, ela valentemente justifica o controle criativo que ela lutou tão duro para conseguir.

      “Eu sempre quis estar no controle total da minha música”, ela defende, “E até mesmo quando eu era adolescente, quando eu assinei o eu primeiro contrato musical, eu disse, ‘Você não vai me obrigar a gravar canções de outras pessoas, sou compositora’. Eu tinha  propostas de outras duas gravadoras que me queriam, e eu disse ‘Eu quero cantar as minhas composições. Eu posso até escrever com outra pessoas, e trabalhar com outra pessoas, mas eu me recuso apenas ser interprete cantar músicas dos outros. Eu tenho eu componho desde criança, e eu sabia desde aquela época que a maior parte das músicas que eu ouvia não eram compostas pelos interpretes, sabia?”

     Falamos brevemente sobre o tema Marilyn Monroe, que é uma heroína e inspiração para Mariah (e acabou batizando sua filha com o sobrenome de Marilyn), que também procurava exercer autonomia em sua carreira – e ela se tornou uma das primeiras mulheres em Hollywood que fundou a sua própria empresa – e é interessante notar que ambas vieram de infâncias pobres (a de Monroe, sem dúvida, é muito mais trágica). Estas origens humildes, diz ela, são a raiz de sua convicção de ser bem sucedida em tudo que faz, sua ética de trabalho inflexível, “vem desde quando ela era criança – quando não tinha literalmente dinheiro algum – e nunca queria ter uma vida assim quando fosse adulta”.

     “Desde os meus quatros anos de idade, eu já estava determinando ser o que sou hoje”, ela revela. “Quero dizer, vendo a minha mãe como uma cantora de ópera e sabendo em uma possibilidade, algo como, quando você crescer você será uma cantora, e é isto que você vai fazer para o resto de sua vida. Eu sempre soube o que eu queria ser.”

     Crescendo no subúrbio de Nova York, Mariah alegou se sentir diferente das outras crianças, pois sua herança mestiça, deixava-a indefinível em ouras comunidades segregadas ao seu redor. A música era sua fuga da discriminação, do assédio moral e dos dramas que ela sofria em casa com a separação de seus pais. Era uma forma de “ficar fora de tudo“.

      De repente, a porta da suíte abre e três meninas usando seus pijamas entram, exitadas demais para dormir e inquietas com seus próprios aposentos. Elas sentam do nosso lado, sem saber que estamos no meio da entrevista, e divertidamente interrompem a nossa conversa com Mariah.

     “Eu acho que você deve enviar mensagem para seu amigo e ver o que eles estão fazendo em casa, porque você realmente negligenciado seus amigos”, ela diz para a mais velha.

     “Eu?” a menina pergunta.

     “Sim”, aconselha Mariah: “Você está negligenciando seus amigos”.

     “Mas você é a minha única amiga”, responde a menina de forma desafiadora, “Você não sabe disto?”

     Mariah tem um acesso de risos, e elas saem da sala para que nós possamos continuara nossa entrevista. Ela é claramente muito próxima de sua família, e adora viajar e as crianças idolatram ela. A Clash sugere que ela é um bom modelo para crianças.

Outra gargalhada

     “Sério?” ela zomba. “Eu não sei se sou”.

     Mas quando se trata de seus próprios filhos, no entanto, “eu sou diferente com eles, porque eu tenho que ser a mãe deles”. Ela têm dormindo poucas horas por dia, e na parte da manhã ela via curtir mais um dia incrível na capital francesa. A sua educação encantadora é uma benção para Mariah, é uma prova de sua própria capacidade de resistência e determinação que ela enfrentou e as dificuldades que ela sofreu, mas mesmo assim trabalha duro para garantir que seus filhos permaneçam desfrutando o estilo luxuoso da mamãe que é uma rainha da música pop.

     “Quero que eles ainda se sintam como pessoas normais”, ela confirma. “Então, se eles não quiserem viajar comigo em algum omento, eles não serão obrigados a se deslocar por aí. Mas eles adoram viajar. Sempre que eu tento manter eles cinco dias em casa, eles ficam perguntando, ‘Quando é que vamos andar de avião novamente?’. Eles realmente amam este estilo de vida. Eles adoram fazer estas coisas e visitar novos lugares. Eles amam a Torre Eiffel. É incrível, você sabe o que eu quero dizer? Eu tenho os melhores momentos da minha vida ao lado deles.”

    Além da influência positiva que ela transmite para seus filhos, é como ela encerra a nossa conversa, Stella está persistente nas proximidade, dizendo que ela precisa fazer mais um dever antes de dormir (o teste para substituição dos bailarinos, desculpe, mas esta noite tem show). pedimos para Mariah falar sobre seu impacto no mundo da música, se ela está consciente de seu legado e como estes cantores contemporâneos desfrutam disto.

     “Eu acho que meu trabalho é meu legado” ela humildemente declara. “Outras pessoas que dizem que foram inspirado por mim e talvez tenham incorporaram isto (o meu trabalho) como parte do legado legado deles, seja lá o que eles tiverem fazendo”

     E ela tem orgulho do trabalho que ela acumulou?

“Acredito que sim. Há pelos menos um par de canções, não importa o que aconteça, as pessoas sempre irão saber cantar. Mas sim, eu acho todos nós estamos aqui por fazer o nosso melhor. Eu não sei se isto é uma vida normal, (ela sacode os ombros),  “Eu  realmente não sei”.

Fonte: Clash Magazine

Tradução: Mariah Now