Tuesday, June 14, 2016

Mariah Carey: Visões de um Amor (Incondicional)


     Eu contei para minha mãe que ia entrevistar a Mariah Carey e ela chorou. “Eu sei que isto significa muito para você”, disse ela. Ela sabe que Mariah salvou a minha vida de muitas formas e várias vezes. Eu tinha 10 anos e estava confuso, era gay, foi nesta época que eu ouvi pela primeira vez sua voz. Foi daqueles momentos que já estavam predestinados: Um amigo ansiosamente e felizmente me fez ouvir sua fita cassete do single de “Emotions”. Aquela voz, com todas aquelas sete oitavas, me cativou e mudou a minha vida. Anos mais tarde, aquela cantora de cabelos encaracolados me cativou cantando músicas como “Hero”, “Make It Happen” e “Can’t Take That Away (Mariah’s Theme)”, fazendo aquelas suas famosas notas altas, que se tornaram sua marca registrada.

     Em 1997, eu tinha 15 anos e ainda estava confuso, à beira da auto-descoberta, sem um modelo para seguir. Mas nem tudo esta perdido para mim – Mariah Carey estava finalmente livre, canalizando artisticamente tudo o que ela queria ser e nunca podia fazer com o “Butterfly”, uma metáfora à sua liberdade artista recém-descoberta. Finalmente ela estava livre depois de ficar presa em um cativeiro profissional e pessoal. O álbum que completa 20 anos no ano que vem, ela colocou a faixa como uma a música para fechar o cd, onde ela fala de todos os sentimentos de inferioridade e xenofobia que ela sobre quando criança, pois ela era birracial, pai negro e mãe branca.

     Como um adolescente gay, eu consegui internalizar a ‘sentindo que não existe ninguém completamente igual’, como diz a canção, e minha forte ligação com a diva, a sobrevivente, minha salvação musical, e o sentindo de ‘ me tornar uma pessoa melhor’ foi reforçada. Era mais do que simplesmente música, Mariah tem uma história de vida encorajadora.

     A história de uma mulher emancipada de 27 anos que luta por independência. A história de uma mulher de 31 anos de idade, que de asas quebradas, depois de viver uma carreira ilustre, chegou ao fundo do poço, entrou na reabilitação por trabalhar demais e ter ‘exaustão’, mas 4 anos depois ela finalmente conseguiu sobreviver a tempestade e retornou ao topo das paradas com a música “We Belong Together” de seu álbum “The Emancipation Of Mimi”, que ficou em 1° por 14 semanas e se tornou a música de maior sucesso da década de 2000. Para nós, fiéis “lambs” de Mariah, que também sofreram ou estão experimentando o outro lado da vida, a sua narrativa de vida é inspiradora e isto nos deixou ter uma devoção eterna por ela.



     Quase 25 anos após eu ouvir pela primeira a sua voz em fita cassete, meu telefone toca. É a Mariah, aquele ícone mundial de vendas recordistas, com uma lista de 18 singles no topo das paradas, vencedora de vários prêmios Grammy, a mulher que foi minha salvação na infância, nossa aliada. Enquanto conversávamos, eu seria negligente se não reconhecesse as raízes de nossa conexão, e então eu fiz isto. Nós vamos também falamos sobre Vegas, onde ela está com uma residência bem sucedida no The Colosseum no Caesars Palace, onde ela canta seus famosos hits no show “Mariah #1 To Infinity’, e agora “se amando mais e com mais confiança”, disse ela, em ir em suas “tangentes vocais”. Naturalmente, ela fala sobre sua coleção de lingerie. Além disso, Mariah desenvolve o “amor incondicional”, com a comunidade LGBT, que ela enfatizou isto quando foi homenageada com o prêmio Ally Award no GLAAD, que a reconheceu como um ícone gay. Uma homenagem que ela recebeu pelos seus feitos em suas letras inspiradoras.

Pride Source: Você não pode me ver agora, mas eu estou em estado de choque, me tremendo todo!

Mariah Carey: Uau! Eu também estou muito animada!

PS: Vou começar falando sobre o GLAAD Media Awards, porque também foi um grande momento para mim, como um homem gay finalmente ver o meu ídolo homenageada como uma aliada. Você reconheceu o seu “amor incondicional” para comunidade LGBT, e de fato é verdade: Eu não poderia deixar de falar isto para você. Para ser honesto, você e sua música foram os motivos pelo qual eu segui o meu sonho de ser jornalista e entrevistar você. E aqui estou eu conversando com você, serei seu Lamb eternamente, e não estou brincando.

MC: Uau! Isto é incrível! Amo vocês também! Sério, isto é uma coisa muito boa de se ouvir, obrigado por me dizer isto!

PS: O que você quis dizer que ainda não teve uma grande experiência de amor verdadeiro fora da comunidade gay? E por que você acha que a comunidade gay em especial está ligada em você com todo este poder?

MC: O que estava tentando expressar – e foi tudo tão rápido e não foi um grande discurso porque eu estava tentando me expressar de coração, falar de coração, e você sabe, às vezes há tanta coisa acontecendo e talvez eu não tenha conseguido me expressar como eu gostaria, talvez se tivesse feito algo mais simples. O que basicamente tentei falar é: Algumas músicas que eu escrevi, uma em especial chamada “Outside”, várias pessoas pessoas da comunidade gay sempre me disseram que cresceram ouvindo esta canção e diziam para mim: “Isso me ajudou a sair do armário para minha família”. Coisas deste gênero.

     E sim, como uma compositora, eu escrevi esta canção sobre como eu cresci me sentindo estranha e diferente, por ser birracial e sofrer preconceito com isto e sobre muitas coisas outros problemas que enfrentei na minha vida. Eu gosto de deixar as palavras como metáfora, para que todo mundo possa se relacionar com as músicas, e muitos dos meus fãs me dizem que ‘esta canção ajudou a falar com a minha família e como meus amigos que sobre como eu me sinto por ser gay’. Há outras canções que também escrevi que falam sobre ser diferente e não ser aceito na sociedade, e era isto que tentei dizer no meu discurso.

PS: Para mim, como um adolescente, “Outside” realmente ressoou. Estas letras – “ambíguas, sem um sentimento de que pertencem somente a uma causa única” – estão todos enraizados na minha cabeça, e elas tiveram uma grande influência na minha vida. “Looking In” também. Qual foi a primeira vez que você estava ciente de que a comunidade gay era a sua alma gêmea?

MC: Toda esta coisa de eu me sentir confortável ao redor de todas as tribos, incluindo diferentes raças, religiões, homossexuais, heterossexuais, veio desde a minha infância. A maioria das crianças que cresceram na mesma época que eu nunca tiveram contato com gays, mas a minha mãe sempre fez muito shows em teatros e ela sempre teve vários amigos gays, e então eu cresci neste meio e sempre achei normal. Ela tinha um casal de amigos gays, que são os dois melhores amigos dela, e eles são as melhores pessoas que conheci na minha vida. Eles sempre foram ótimos para mim. Eles me tratavam como filha. Obviamente, o casamento gay não era bem visto naquela época, não como era agora, e eles não eram casados legalmente. Mas viveram juntos e eles foram o maior exemplo de casal perfeito para mim. Eles ficaram juntos muitos anos, e então para mim isto sempre foi a coisa mais normal do mundo. Não era aquela coisa, “Uau, estes amigos gays da minha mãe são estranhos.

     Eu acho que sempre me senti confortável com esta situação porque vivenciei isto com eles, e eles eram muito bons para mim e para minha família. Então, quando eu era criança, sabia exatamente quem era gay e quem não era na minha escola, antes mesmo deles se descobrirem. Também quando eu era criança, a mãe de uma amiga minha começou a se relacionar secretamente com outra mulher, elas moravam juntas e tinham uma cumplicidade, porém esta minha amiga não sabia que a mãe era gay, porque ela não entendia isto, mas eu sim. Mas eu tive sorte de ter uma mãe que tinha uma mente muito aberta e explicava para mim que isto era normal, e então sempre encarei tudo com muita naturalidade.

PS: Você tem sido um exemplo e uma salvação para muitos de seus fãs LGBT, incluindo eu mesmo, porque você sempre mostrou que qualquer pessoa pode ser capaz de se encontrar e ser feliz. Quando foi a primeira vez que você pode ser exatamente a pessoa que você sempre quis ser a vida toda?

MC: UAU! A primeira vez que eu realmente pude ser eu mesma… Bom, isto foi uma grande coisa para mim, porque eu finalmente eu pude incorporar trabalho, diversão e liberdade musical, foi quando eu fiz o meu vídeo de “Honey”, eu nadei até salto alto! Foi algo que eu sempre quis ter, a minha liberdade artística para ser eu mesma, pois eu estava uma situação que era OK, eu tinha liberdade para uma coisa ou outra que eu realmente gostava, mas maior parte delas não era permitido devido ao meu primeiro casamento (seu ex-marido, Tommy Mottola era presidente do selo Columbia Records). Eu tive superar muita coisa e passar por muitos momentos ruins para conseguir ser eu mesma, eu não tinha permissão para ser eu mesma. E eu tive que ter muita coragem para tomar uma decisão de lutar contra isto. Não apenas “Eu vou fazer um vídeo”, foi  “Eu estou seguindo em frente com a minha vida, e eu tenho que fazer as coisas com os meus próprios pés, porque eu estou presa em uma situação que não consigo me livrar”.

PS: Eu sei que você está dizendo – eu passei por isto. Quer dizer, eu não cheguei a fazer um vídeo musical (risos).

MC: (Risos). Trate este vídeo como “Eu tive um grande momento em algum lugar por aí”. Mas fazer o vídeo e trabalhar no processo de criação dele para mim foi realmente divertido. E, além de também dele ter tudo o que mais amo nesta vida: a praia, a água, a liberdade, toda aquela narrativa. Mas sim, demorou um pouco para eu conseguir chegar neste patamar.

PS: Você está cantando algumas de suas músicas mais antigas durante esta residência em Vegas. Como você tem ajustado a sua abordagem e sua voz para cantar estas músicas, já que muitas delas você gravou quando tinha menos de 20 anos de idade, o que mudou de lá pra cá?

MC: Bom, certos dias eu penso ‘Oh, este dia vai ser bom para mim, pois eu passei o dia inteiro fazendo repouso vocal e blá blá blá’, mas alguns dias eu me solto no palco e tento ser mais experimental e fico brincando no palco, porque talvez eu não precise ser tão radical nesta altura do campeonato. Realmente, eu só acho que me tornei mais confiante e mais experimental da melhor forma possível, se é que você me entende, eu uso diferentes partes da minha voz e todas estas coisas. Eu sempre fiz isto, eu sempre fiquei muito presa em ‘seguir o script’ e ‘não sair pela tangente’. Você sabe né, eu acho que as pessoas pensam que tipo de tangente eu tenho disponível (risos). Cantando pela tangente, como quebrar o sapato com um salto enorme no palco e ter que continuar o show mesmo assim, improvisando e não deixando a peteca cair.

PS: Você usa lingerie para fazer pizza – que coisa maravilhosa!

MC: (Risada estrondosa) Isto foi real! É assim que eu ando em casa! Eu mal uso roupas, tudo o que preciso são várias lingeries.

PS: Como você faz para se sentir em casa em Las Vegas?

MC: Eu acabei de comprar um monte de lingerie! (risos)



PS: O que você acha que a Mariah de 1990 perguntaria para Mariah de 2016?

MC: Huuummm, eu não faço ideia! Eu era uma criança, apenas queria ir além, mas sabia que era algo que gostaria de fazer para o resto da minha vida e muito. Provavelmente eu perguntaria: “Quem é que faz a sua maquiagem ou cabelo?” (Risos). Porque naquela época tinham pessoas que não sabiam o que estavam fazendo comigo e eu não tinha ideia do que era realmente bom para mim, e então eu perguntaria para mim mesma: “Quem é que faz a sua iluminação, seu cabelo e sua maquiagem?”.

PS: Parece que eles gostavam de te vestir com roupas pretas toda hora

MC: Sim, eles gostavam. E eu ficava apenas pensando… de novo? Mas é uma longa história, você nem queira saber!

PS: Vimos grandes nomes morrendo nos últimos anos: Prince, Whitney, David Bowie. De que forma a morte precoce deles te fez refletir sobre o seu próprio legado e o que sobre o que você realmente quer deixar para pessoas?

MC: Isto é realmente interessante: Eu sempre amei o Prince e continuo amando. Eu amo a sua música e sempre vou tê-lo ao meu lado, eu cresci ouvindo Prince, você sabe o que eu quero dizer? Eu tive a sorte de conhecê-lo, mas antes dele se tornar meu amigo, eu conheci ele quando eu era era criança e  cresci ouvindo a sua música, e então a sua morte para mim foi muito forte… eu realmente senti como se fosse aquelas pessoas que estão próximo a mim durante muitos anos, porque ele é eterno de muitas maneiras

     Mas sobre eu estar refletindo sobre o meu próprio legado? Eu não estou pensando sobre isto agora. Estou certa de que tenho muita coisa legal para fazer, coisas criativas, bom, eu não quero entrar em detalhes, mas são muitos projetos. Algumas coisas para o cinema. Estou me preparando agora para finalmente voltar em estúdio para gravar um novo álbum, e obviamente, estou fazendo uma residência em Las Vegas, algo que é muito divertido, mas não quero ficar presa somente lá. Eu quero fazer outras coisas também. Acabamos de fazer uma turnê pela Europa, e o público foi maravilhoso, depois fomos para África, o que foi realmente ótimo.

     Mas como eu acho que será o meu legado? É realmente difícil para eu responder isto. Eu só espero que os fãs que tem apoiado a minha carreira e tiveram a minha música mudando a vida deles faça com elas continuem fazendo isto na vida das pessoas, como você disse que elas fizeram na sua vida, o que é incrível para mim. Porque músicas como “Outside”, “Looking In” ou “Close My Eyes” não são conhecidas do grande público, somente pelo meus fãs.

PS: “I was a wayward child”… acredite em mim, eu conheço estas palavras do fundo do meu coração.

MC: Acredite em mim também. “With the weight of the world that I held deep inside.”

PS: É o peso que se carrega?

MC: Bom, você sabe né – é o peso que eu carrego? Bom, eu acho que é diferente agora. É apenas diferente. Eu não quero ser mal interpretada. Eu não quero que você interprete mal isto. Eu só quero dizer que de muitas maneiras que existem outras coisas que são realmente “pesadas para mim”. Como a minha vida agora, eu tenho outras responsabilidade. Eu estava realmente escrevendo como eu me sentia quando eu era criança. Eu realmente tinha o peso do mundo sobre os meus ombros quando era criança, era isto que sentia sobre mim do fundo do meu coração.

PS: Obrigado por me esclarecer, agora ninguém tira isto de contexto.

MC: Eu sei disto! (fala dramaticamente).

PS: Mariah, do fundo do meu coração, eu te agradeço por ter cedido este tempo para mim, isto significa para mim mais do que você podei imaginar. Eu espero que nossos caminhos cruzem novamente o mais rápido possível!

MC: Eu que agradeço você por tudo! Muito obrigado por conversar comigo sobre a minha música. Eu realmente gostei de falar sobre isto! Eu adoro você, dahling!

Fonte: Pride Source